A crise da indústria automobilística pode ter mexido com os fabricantes de produtos originais, mas as divisões de reposição estão rindo à toa. Afinal, se não vende carros novos, os que estão nas ruas continuam precisando de manutenção
Texto: Carol Vilanova
Fotos: Edinho Paiva
A reposição nunca esteve tão em foco. Com a queda vertiginosa de vendas de carros novos no Brasil, fabricantes de autopeças que fornecem direto para montadoras então sofrendo com o baque, consequência da famosa cadeia automotiva. Em compensação, as divisões de aftermarket dessas mesmas fábricas afirmam estar vendendo mais no mercado de reposição independente.

Esse fato foi constatado durante a 12ª edição da Automec (Feira Internacional de Autopeças, Equipamentos e Serviços), o maio evento de reparação da América do Sul, realizado entre os dias 7 e 11 de abril, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo/SP. Tanto as empresas quanto as entidades do setor confirmaram que o mercado de reposição está em alta. De acordo com o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) esse setor movimentou em 2014 cerca de R$ 105,84 bilhões.
No discurso de abertura, Paulo Butori, presidente do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), disse que o mercado de reposição vai revigorar as forças do setor automotivo. “Hoje, a frota chegou a 41,5 milhões de veículos e se não compramos carros novos, consertamos o que usamos”, afirmou. Um estudo desenvolvido em conjunto com o Sindipeças, Sincopeças-SP e Sindirepa-SP, revelou que o setor deve cresce 4,6% ao ano.

Antonio Fiola, presidente do Sindirepa Nacional (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios) concordou, ressaltando que o crescimento da frota de veículos mantém a categoria em funcionamento. “A frota precisa passar pela manutenção preventiva e com o fim da inspeção veicular a reparação tem sido corretiva”, afirmou.

Ele também alertou para os resultados positivos que a inspeção ambiental trouxe enquanto foi realizada em São Paulo, com benefícios ao meio ambiente, à saúde da população e para a mobilidade nas cidades. Além disso, disse que o setor de reposição tem trabalhado para regulamentar o projeto de lei que regulamenta as oficinas.
Francisco de La Tôrre, presidente do Sincopeças-SP (Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios de Veículos do Estado de São Paulo), disse que a feira deu salto de qualidade em conteúdo, apresentando fóruns, palestras e debates. A inspeção veicular também foi tema em seu discurso. “É fundamental e a questão precisa ser trabalhada com seriedade”, disse.
Mas é certo que para movimentar ainda mais o setor e para que a própria população seja beneficiada, é importante que se instaure a inspeção técnica veicular e de emissões.
A feira
A Automec continua cumprindo com louvor seu papel de apresentar as mais novas tecnologias disponíveis ao reparador, além das tendência desse mercado tão importante para a sociedade de um modo geral. Nesta edição, Mais de 1200 marcas participaram do evento como expositores, e muita, mas muita gente circulava pelos corredores do pavilhão, repletos de novidades e conhecimento para o profissional do setor.
Já se tornou tradição: tecnologia não só nos produtos, mas também em como apresenta-los ao público, atrações, palestras e workshops e elas, as mulheres bonitas, sempre com sorriso no rosto e prontas para tirar uma “selfie” com os visitantes.
A Automec traz tudo de bom: oportunidade de conhecer em primeira mão as novidades das empresas, obter conhecimento e atualização profissional, avaliar fornecedores e seus produtos, e fazer networking. Hoje é assim: sai na frente quem tem bons relacionamentos e troca de experiência e informações. E ponto final.
De acordo com a Reed Exhibitions Alcantara Machado, organizadora do evento, o público que ultrapassou a barreira dos 70 mil visitantes, vindos de 31 países. A feira tem apoio do Sindipeças e co-apoio da Andap/Sicap, Sindirepa-SP e Sincopeças-SP.
Por isso, está certo que apesar dos sinais de desaquecimento da nossa economia, por conta da frota circulante, o segmento de reposição deve, sim, continuar crescendo. E pelo que vimos na Automec, temos muitas ferramentas para trabalhar, coisa de primeiro mundo.
Atrações
Uma das novidades deste ano foi a Oficina Modelo, que simula com fidelidade como funciona um centro de reparação com toda tecnologia e qualidade disponível nos dias de hoje. Lá, o público vai acompanhar demonstrações práticas e teóricas de como aproveitar os principais lançamentos para reparação automotiva. Sempre tendo em foco a sustentabilidade, a reciclagem e o reaproveitamento de peças e componentes automotivos.




Um pouco da Automec 2015
Affinia


Bosch


BorgWarner

Canal da Peça

Continental

Dayco / Nytron

Delphi

Dunlop

Federal Mogul

Gates


GMA (Grupo da Manutenção Automotiva)

Grupo Randon

IQA
Em seu espaço, o destaque para a nova certificação para centros de reparação de transmissões, além das demais certificações para oficinas de manutenção de motores, freios, suspensão e direção. Também ressaltou o Selo Verde, com foco no meio ambiente.
Keko

KSPG

Magneti Marelli

MTE-Thomson

NGK

OCAP

Reflex & Allen

Sabó

Saint-Gobain Sekurit

Schaeffler

Taranto

Tec Doc
Líder no setor de informação eletrônica no mercado de reposição europeu, a TecDoc foi apresentada na feira, por meio da empresa TecAlliance, que vai oferecer ao mercado brasileiro o catálogo eletrônico com 26 marcas. O banco de dados do TecDoc é abastecido pelos próprios fabricantes de autopeças e as informações são disponibilizadas ao reparador mediante assinatura anual.
Tecfil

Teneco

TMD Cobreq

Valeo

Zen

ZF Sachs

Mais fotos: algumas pérolas da Automec 2015, valeram um click
















